Nas semanas que se seguiram, Bia começou a ter ataques nervosos repentinos.
As ligações do atendimento a estressavam, nem sua salada de frutas caras a acalmava. Bruno, um colega dela, meio louquinho também, a aconselhou a procurar um médico, em um hospital.
Mily até comentou com Duda:
-Não é que o doidinho tem razão? Ela precisa de um médico, talvez um psiquiatra, que saiba o que fazer com ela.

As amigas notaram que Bia era uma pessoa solitária, seus pais viajavam semanalmente. E ela vivia na

companhia de um hamster, que se escondia embaixo dos móveis para fugir dela. A japa não tinha irmãos, não tinha amigos próximos. só tinha Duda e Mily.

Após ouvir o conselho de Bruno, Bia se levantou de sua mesa de atendimento, onde ela parecia literalmente espremida, e foi conversar com Vera, uma supervisora que acreditava que os delírios dela eram resultados do estresse do teleatendimento. Mas analisando isso, se fosse assim, a empresa de telemarketing seria um hospício.

 Vera, também não era alguém muito normal, ela era mãe solteira, e tentava arrumar um pai pro filho dela a qualquer preço dentro da empresa. Qualquer um!Independente de quantas horas ele passava no bar. Qualquer um mesmo! Independente dele ser gay! Por isso ela usava um batom vermelho sobre seus finos lábios, e vestidos decotados, exibindo um colo branco. Tinha cabelos loiros e usava um óculos de gatinha. E ela via o mundo apenas de acordo com sua perspectiva pessoal.

-Oi Vera
-Oi Bia. respondeu Vera sem entusiasmo e sem dar o mínimo de atenção.
-Estou me sentindo mal de novo, acho que vou a um médico, o que você acha?
Ela parou de mexer em seu computador, tirou os óculos, segurou a mão de Bia e disse:
-Bia, talvez você esteja esperando um bebê. A vida é difícil mesmo. O pai do meu filho fugiu, logo que engravidei. E eu deixei de amar meu filho? Não! Eu fui a luta! Venci o mundo, enfrentei os preconceitos e tudo mais pelo meu filhinho que amo!

O telefone tocou, e interrompeu o discurso bonito da mãe carente. E ela ao atender, fez um sinal com a mão para que Bia fosse sentar e voltar a atender.

Não sei o que exatamente qual palavra de Vera chamou mais atenção de Bia.

No fim do dia, Duda e Mily foram ao banheiro se maquiar para embarcar no metrô com estilo e sofisticação, e então ouviram o choro de Bia, um choro forte e horripilante de Bia. Elas mal haviam se visto naquele dia. Bia havia preferido sentar perto de Bruno, que dava mais atenção pras suas loucuras. Mas lá estava ela, em uma cabine minúscula no banheiro feminino chorando.

Duda, na maior compaixão do mundo disse:
-Bia, não chora... o que aconteceu com você?? Por que está chorando?
Já Mily, mais marrenta como sempre foi logo dizendo:
-Bia!!! Sai já desse banheiro meu! Ou vou chutar todas as portas até te achar!

Bia logo saiu. Seu rosto estava vermelho de tanto chorar. Seu batom estava borrado por toda sua cara rechonchuda.
Os berros de Mily valeram a pena!
-Então dona Beatriz Aiko Nakao, porque choras? Duda disse com aquele jeito da fada-madrinha da Cinderela, como se pudesse fazer os desejos de Bia se realizarem.
Mily olhou com cara de desdém pra Duda, como se dissesse "por favor, não faz isso".
Mas ambas prestaram atenção quando Bia lavou o rosto e começou a falar:
-Duda, Mily! Eu estou gravida! Olha o tamanho da minha barriga!
Pausa dramática para mais choro.
-Você não está gravida, você só come demais Bia! Se fizer um regime, seu "filho" vai sumir. Comentou Mily pensando: Não estou ouvindo isso! Que saco! Ela é doida e ninguém percebe??
Duda pensou curiosa: De quem??
E foi o que ambas perguntaram juntas.

Duda, parou de chorar, enxugou o rosto com papel-higienico, deixando pedacinhos colados pelo seu rosto vermelho redondo. Respirou. E disse aos sussurros:
-Eu não sei quem é ele... Meu pai abre a porta pra ele de madrugada. Ele sobe até meu quarto e é escuro e não o vejo. Ele me fez um filho!!! Olha o tamanho da minha barriga...

Duda e Mily por um instante acreditaram em Bia. Começaram a pensar que o pai dela abusava dela e coisa assim, mas lembraram que ele não era um pai presente, e que aquilo era coisa da cabeça dela.
Bia pediu para irem no médico confirmar a gravidez dela.
Mily que já era da pá virada, disse que não podia, mas que ligaria pra saber noticias.
Sobrou para Duda ir com ela...

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